Porque é que são doze?
Os «Doze Olímpios» eram o núcleo dos grandes deuses gregos. Viviam, nos mitos, no Olimpo — o pico de 2.917 m na Tessália. O 12 pesava no imaginário grego: meses, signos, organização. A lista, porém, não foi sempre fixa. Em algumas tradições entra Héstia; noutras, Dioniso ocupa o seu lugar. Hades fica quase sempre de fora, por reinar o Mundo Inferior e não o Olimpo. Na Ágora de Atenas existia o Altar dos Doze Deuses, erguido por volta de 522 a.C., que servia também de marco zero para medir distâncias a partir da cidade.
Os doze clássicos
Zeus
Rei dos deuses; céu, ordem e trovão. Símbolos: raio, águia, carvalho. Equivalente romano: Júpiter.
Hera
Rainha dos deuses; casamento e família legítima. Símbolos: pavão, vaca, romã. Esposa e irmã de Zeus. Romano: Juno.
Poseídon
Mar, sismos e cavalos. Símbolos: tridente, golfinho, cavalo. Irmão de Zeus. Romano: Neptuno. Na Ática, liga-se fortemente ao templo de Súnio.
Deméter
Agricultura, trigo e ciclo das estações. Símbolos: espigas, archote. Mãe de Perséfone. Romano: Ceres. Os Mistérios de Elêusis eram dedicados a ela e à filha.
Atena
Sabedoria, estratégia, artes e cidade. Símbolos: coruja, oliveira, égide com cabeça de Medusa. Padroeira de Atenas. Romano: Minerva. O Parténon era o seu grande templo.
Apolo
Música, oráculos, cura, luz e arco. Símbolos: lira, louro, arco. Romano: Apolo. Delfos foi o seu santuário de referência.
Ártemis
Caça, natureza selvagem, jovens e parto; mais tarde, Lua. Símbolos: arco, flechas, corça, meia-lua. Gémea de Apolo. Romano: Diana.
Ares
A face violenta da guerra. Símbolos: lança, elmo, abutre, cão. Na Grécia tinha menos prestígio do que Atena, associada à estratégia. Romano: Marte.
Afrodite
Amor, beleza e desejo. Símbolos: pomba, cisne, rosa, concha. Em Hesíodo, nasce da espuma do mar, perto de Chipre. Romano: Vénus.
Hefesto
Fogo, metalurgia e ofício técnico. Símbolos: martelo, bigorna, tenaz. Deus coxo e artífice dos Olímpios. Romano: Vulcano. Na Ágora Antiga, o templo bem preservado leva o seu nome.
Hermes
Mensageiro, viagens, comércio, caminhos e astúcia. Símbolos: caduceu, sandálias aladas, chapéu alado. Psicopompo — guia de almas. Romano: Mercúrio.
Dioniso
Vinho, êxtase, teatro e suspensão da ordem diária. Símbolos: hera, videira, tirso, leopardo. Muitas listas trocam-no por Héstia. Romano: Baco. O Teatro de Dioniso fica na vertente sul da Acrópole.
Héstia e Hades: os alternativos
- Héstia: deusa do lar e do fogo doméstico; central no culto familiar. Em várias listas é a 12.ª Olímpia em vez de Dioniso. Discreta e virgem, surge menos na iconografia.
- Hades: senhor do Mundo Inferior, irmão de Zeus e de Poseídon. O rapto de Perséfone liga-o de perto a Deméter. Costuma ficar fora dos Olímpios por não «viver» no Olimpo. Como Plutão, associa-se também à riqueza da terra.
Como se organizam em família
A árvore genealógica em poucas linhas
Primeiro, as divindades primordiais: Caos, Gaia, Urano, Tártaro e Eros. Depois, os Titãs — filhos de Gaia e Urano — como Crono, Reia, Oceano, Témis e Mnemósine. De Crono e Reia nascem Zeus, Poseídon, Hades, Hera, Deméter e Héstia. A geração seguinte traz Apolo, Ártemis, Ares, Atena, Hermes, Hefesto e Dioniso. A Titanomáquia e a Gigantomaquia explicavam, em mito, a ascensão da ordem olímpica.
De relance
12 clássicos
Os Olímpios da lista habitual. Dioniso ou Héstia alternam.
2.917 m
Cume do Olimpo, morada mítica dos deuses.
120 festas/ano
Calendário religioso ateniense. Muitas honram os Olímpios.
393 d.C.
Finais do século IV: decretos teodosianos limitam os cultos antigos.
Que deuses encontras hoje em Atenas
- Atena: Parténon, Erecteion, Templo de Atena Niké — praticamente toda a Acrópole.
- Zeus: Templo de Zeus Olímpico (Olimpieu), um dos maiores templos da Atenas antiga.
- Hefesto: templo de Hefesto na Ágora Antiga, dos mais bem preservados da Grécia.
- Apolo e Dioniso: templos e altares menores; Dioniso em destaque no Teatro e Santuário na vertente sul da Acrópole.
- Poseídon: templo em Súnio, 70 km a sul.
- Hermes: Hermai (marcos com busto) espalhados pela cidade.
- Ártemis: Santuário de Ártemis Braurónia na Acrópole. Grande templo em Braurona, a leste de Atenas.
Os equivalentes romanos
- Os Romanos cruzaram, em larga medida, o seu panteão com o grego. Herdaram muitas histórias e deram-lhes tom romano.
- Zeus = Júpiter; Hera = Juno; Poseídon = Neptuno; Deméter = Ceres; Atena = Minerva; Apolo = Apolo; Ártemis = Diana; Ares = Marte; Afrodite = Vénus; Hefesto = Vulcano; Hermes = Mercúrio; Dioniso = Baco.
- Os dias da semana em línguas românicas guardam memórias de deuses romanos — olha o mardi em francês, ligado a Marte. Em inglês, prevalecem versões germânicas/escandinavas.
- A maioria dos planetas tem nomes de divindades romanas, muitas vezes coincidentes com deuses gregos identificados.
Mitologia no quotidiano grego
- Não era «religião» no sentido moderno: sem livro sagrado nem dogma único. As versões variavam por cidade e época.
- Festas e sacrifícios eram o centro: menos crença individual, mais prática comunitária.
- Heróis (Heracles, Teseu, Perseu, etc.) eram semi-deuses com locais de culto próprios.
- Religiões de mistério (Elêusis, Órficos, Dionisíacos) ofereciam salvação pessoal e esperança após a morte. A religião grega antiga na vida diária dá o enquadramento.
- Culto imperial: no período helenístico e romano, os soberanos recebem honras cada vez mais divinas.
Como reconhecer os deuses na arte
- Zeus: barbado, maduro, com raio; muitas vezes sentado.
- Poseídon: parecido com Zeus, mas com tridente e, por vezes, cavalos ou golfinhos. Postura erecta.
- Atena: mulher de elmo, escudo e, às vezes, uma pequena estátua de Niké (Vitória).
- Apolo: jovem imberbe, com lira ou arco.
- Ártemis: jovem com arco; por vezes uma corça ao lado.
- Afrodite: nua ou semínua, por vezes com pomba ou concha.
- Dioniso: grinalda de hera, tirso na mão, uvas e, aqui e ali, um leopardo.
- Hermes: sandálias aladas, caduceu e chapéu de viajante.
Onde ver os Olímpios em Atenas
Museu Arqueológico Nacional
O Bronze do Artemísio — lido como Zeus ou Poseídon —, a Afrodite de Siracusa e estátuas de Apolo mostram bem a iconografia divina.
Museu da Acrópole
Cópias romanas da Atena Pártenos, frontões com figuras olímpicas e achados ligados ao culto de Atena.
Olimpieu
Templo de Zeus Olímpico. Restam 15 colunas e o recinto vê-se, em grande parte, também do exterior.
Tiseu (Ágora)
Templo de Hefesto na Ágora Antiga, um dos exemplos mais completos de templo grego.
Perguntas frequentes
Porque é que Hades às vezes é excluído?
Reinava o Mundo Inferior, não o Olimpo. Por isso, muitas listas deixam-no de fora. Ainda assim, era poderoso e cultuado — sobretudo como Plutão, «o rico».
Qual é a lista «canónica»?
Não há uma única lista. Em Atenas, o elenco habitual: Zeus, Hera, Poseídon, Deméter, Atena, Apolo, Ártemis, Ares, Afrodite, Hefesto, Hermes, Dioniso.
Os Gregos acreditavam mesmo neles?
Na maioria, sim — mas de formas diversas. Filósofos debatiam a natureza divina; gente comum fazia sacrifícios e seguia as festas. A vivência variava com classe e instrução.
E a relação com as constelações?
Muitas constelações vêm acompanhadas de mitos. Em vários casos, os Gregos ajustaram histórias suas a esquemas astronómicos mais antigos, alguns de origem babilónica.
Quanto tempo durou o culto olímpico?
Cerca de 1.500 anos, das primeiras evidências até à cristianização. Os últimos templos e ritos foram sendo limitados do fim do século IV ao V d.C.
Que livro começo por ler?
A Teogonia de Hesíodo para cosmogonia e genealogia; a Ilíada e a Odisseia de Homero para deuses em ação; a Biblioteca de Apolodoro como compêndio; e o Mythology de Edith Hamilton como introdução acessível.
Fontes:
— Kathy