A geologia por trás da fotografia
Santorini é o que resta de um sistema vulcânico que mudou de forma violenta há cerca de 3 600 anos. A erupção minoica, por volta de 1600 a.C., está entre as mais fortes da história conhecida.
A ilha colapsou e nasceu a caldeira atual. Thíra, Thirassiá, Aspronísi, Néa Kaméni e Paléa Kaméni são pedaços dessa história. O cenário não é decorado — é ferida aberta pela derrocada.
A mesma erupção cobriu Akrotíri com metros de pedra-pomes, o que a preservou de forma rara. A ligação ao mito da Atlântida é hipótese, não facto.
Akrotíri: cidade da Idade do Bronze
As escavações começaram em 1967 com Spyrídon Marinátos. O assentamento tinha casas de dois e três andares, ruas calcetadas, drenagem e afrescos aparentados com o mundo minoico de Creta.
O achado mais intrigante é a ausência: não apareceram esqueletos nem muitos objetos preciosos. Tudo indica que a população saiu depois dos sismos que antecederam a erupção.
O sítio é coberto e visita-se por passadiços. Para bilhetes, passes combinados e horários, confirma no Ministério da Cultura. Conta com 1h30 — mais se fores lendo as placas com calma.
Firá, Oía, Imerovígli, Pírgos
Firá é a capital e o nó principal da ilha. Do porto antigo sobe-se de teleférico ou pelos cerca de 580 degraus. Restaurantes, lojas, hotéis e autocarros concentram-se aqui. Prático, sim — e com muita gente.
Oía, no extremo norte, é o postal mais famoso. Ao pôr do sol, as ruelas enchem bem antes da hora. Para evitar o ombro a ombro, vê a luz a partir de Imerovígli, Firá ou de um barco.
Imerovígli tem o ponto mais alto da caldeira e o trilho até ao rochedo de Skáros. Firostefáni encosta a Firá, mas com menos pressão. Pírgos, no interior, mantém escala de aldeia, com castelo e vistas em várias direções.
Praias de cores vulcânicas
Praia Vermelha
Falésias vermelhas perto de Akrotíri. O acesso é por vezes limitado por deslizamentos — a melhor vista é lá de cima.
Praia Branca
Rochas claras de pedra-pomes. Chega-se sobretudo de barquinho a partir de Akrotíri.
Períssa, Perívolos, Kamári
Areia vulcânica preta, zonas organizadas e beach bars. Ao meio-dia, a areia queima os pés.
Vlicháda
Costa sul, com rocha esculpida pelo vento em formas estranhas. Normalmente com menos gente.
Vulcão de barco: o que esperar
Néa Kaméni é um ilhéu vulcânico ativo dentro da caldeira. A caminhada até à cratera é curta e faz-se em terreno preto, quente e poeirento. A última erupçãozinha foi em 1950.
Paléa Kaméni tem águas termais sulfurosas. A água é acastanhada e cheira a enxofre — não é piscina de spa. Thirassiá entra em muitos passeios como paragem para almoço. Barcos da tarde são uma boa forma de apanhar o pôr do sol sem o aperto de Oía.
Assýrtiko e vinhas em «cesto»
O Assýrtiko de Santorini é um branco seco, ácido, mineral e com toque salino. As vinhas não sobem em latadas: trançam-se rasteiras, em «kouloura», para cortar o vento e guardar humidade.
O Vinsanto é doce, de uvas passificadas, sobretudo Assýrtiko e Aidáni. Há adegas para todos os gostos, de cooperativas a quintas pequenas. Para visitas e provas, marca hora — sobretudo na alta temporada.
Comer local
O tomate de Santorini é DOP: pequeno, concentrado, crescido em solo vulcânico com pouca água. A fava é DOP e chega à mesa em puré, com cebola, alcaparras e azeite. A beringela branca é mais doce do que a roxa.
Bolinhos de tomate aparecem em todo o lado, com hortelã ou outras ervas. O chloro é um queijo fresco local de cabra e ovelha — menos famoso do que muita comida de menu turístico, mas mais identitário.
Os burricos: não
Em Firá ainda vendem subidas de burrico pelos 580 degraus do porto antigo. As questões de bem-estar estão documentadas por autoridades gregas e organizações internacionais: sobrecarga, feridas, mau equipamento, calor.
O teleférico é rápido, mas em hora de ponta pode ter fila. A pé é grátis, porém os degraus exigem atenção. Animais não são meio de transporte turístico.
Como te moves na ilha
Os autocarros KTEL partem sobretudo de Firá e ligam Oía, Kamári, Períssa, Akrotíri e Pírgos. No verão enchem depressa — deixa margem se tens barco, voo ou reserva.
ATV e scooters alugam-se por todo o lado, mas as estradas são estreitas, íngremes e cheias de gente que não conhece o caminho. Carro ajuda para praias e aldeias, porém estacionar em Firá e Oía é difícil. Táxis são poucos e a espera alonga.
De Atenas para Santorini
Da Ioulianou 50 para o aeroporto Elefthérios Venizélos, apanha a Linha 1 em Victoria até Monastiraki e muda para a Linha 3 até ao aeroporto. Conta cerca de uma hora, conforme a espera. O voo Atenas–Santorini é curto e, no verão, o aeroporto de Santorini recebe vários voos diretos da Europa.
Para ferry, a Linha 1 desde Victoria segue direta para o Pireu. As durações e preços variam muito conforme a companhia e o tipo de barco. Em dias com muitos cruzeiros, o porto antigo e Firá ficam especialmente pressionados às horas de chegada e saída dos grupos.
Quando ir
Abril, maio e outubro são os meses mais sensatos. O tempo é mais suave, os preços tendem a baixar e a caldeira respira. No início da primavera o mar pode estar fresco, mas caminhar e visitar sítios arqueológicos é bem mais confortável.
Junho e setembro trazem mar quente e mais movimento, ainda assim gerível. Julho e agosto significam procura no limite, alojamento caro, calor e ruelas cheias. Para esses meses, reserva com vários meses de antecedência.
Quatro dias em Santorini
Dia 1: Firá, teleférico, passeio pela caldeira e pôr do sol em Imerovígli. Dia 2: Akrotíri, Praia Vermelha vista de cima, Vlicháda e Pírgos. Dia 3: Néa Kaméni, águas termais e Thirassiá. Dia 4: adega e praias de areia preta em Períssa ou Kamári.
Oía não tem de ser ao pôr do sol. De manhã está mais limpa, mais calma e muito melhor para veres mesmo o lugar.
Fontes
— Kathy