🪪 O bilhete de identidade da ilha
📍 Onde fica
Spinalonga fica no nordeste de Creta, na prefeitura de Lasithi, à entrada da baía de Elounda, que se abre para o grande golfo de Mirabello. Não tem porto para navios nem habitantes: vais só para visitar, de barco desde Plaka, Elounda ou Agios Nikolaos. De Atenas, voas para Heraklion em cinquenta minutos ou apanhas o ferry noturno no Pireu, e daí conduzes cerca de uma hora até Elounda.
📍 Onde fica Spinalonga
Spinalonga é um ilhéu no nordeste de Creta, à entrada da baía de Elounda, perto de Agios Nikolaos. A vermelho Spinalonga, e a verde o aeroporto de Atenas, o Pireu e Heraklion, de onde chegas.
🗺️ O mapa da baía
A baía de Elounda parece um lago: a leste fecha-a a península de Kalydon, a que os locais também chamam Spinalonga, e que só está ligada a Creta por uma estreita faixa de terra em Poros. Na sua ponta norte, separado por um canal estreito, fica o ilhéu com a fortaleza. Em frente, na costa de Creta, Plaka, uma aldeia de pescadores com tabernas à beira da água. A sul, Elounda, com o porto e os grandes hotéis, e Poros, onde as ruínas da antiga Olous estão debaixo do mar.
🗺️ O mapa de Spinalonga e da baía
Spinalonga fecha a baía de Elounda pelo norte. Em frente, na costa de Creta, Plaka, de onde o barco demora dez minutos. A sul, Elounda, com o seu porto, e Poros, onde a península de Kalydon se une a Creta e onde fica a Olous submersa. Toca em cada número para veres o que é.
Mapa: Marco Boschini, século XVII (Public domain) · Wikimedia Commons
⚖️ Vale a pena? Prós e contras
Spinalonga vale a pena para quem estiver na Creta oriental. Não é uma ilha para ficar nem para nadar, mas um monumento que te prende duas horas e fica contigo durante anos. Aqui fica um retrato honesto.
📊 Em resumo, de 1 a 5
👍 Os prós
- Uma fortaleza veneziana inteira sobre o mar, com muralhas e baluartes.
- A aldeia da leprosaria, tal como a deixaram os últimos habitantes.
- Uma das histórias mais comoventes da Grécia moderna.
- Acesso fácil: dez minutos de barco desde Plaka.
- Tabernas de peixe em Plaka com vista para a fortaleza.
👎 Os contras
- Muita gente no verão, sobretudo ao meio-dia.
- Quase nenhuma sombra: o sol queima nas pedras.
- Não se fica na ilha, é só para visitar.
- De Atenas precisas de um voo ou de um ferry até Creta.
🏰 A fortaleza veneziana
O ilhéu estava fortificado desde a Antiguidade, para proteger o porto de Olous. Em 1579 os venezianos, que governavam Creta, construíram aqui uma das fortalezas mais poderosas do Mediterrâneo, com muralhas à volta de toda a ilha, baluartes nas pontas e canhões virados para o mar. Quando os otomanos conquistaram Creta em 1669, depois do cerco de Cândia, Spinalonga continuou veneziana, um pedaço de Veneza dentro da Creta turca, até 1715, quando foi entregue por tratado.
Hoje percorres o trilho que dá a volta às muralhas: passas pelo baluarte redondo sobre o mar, sobes ao baluarte em meia-lua da Mezzaluna e até ao topo, onde o baluarte Michiel domina toda a baía. Lá de cima, a vista sobre Plaka, as montanhas de Creta e o golfo de Mirabello é uma das mais bonitas da ilha.
Fotos: Cayambe (CC BY-SA 4.0), C messier (CC BY-SA 4.0), Robin & Bazylek (CC BY 2.0), Rigorius (CC BY-SA 4.0), Goosi (CC BY-SA 4.0) · Wikimedia Commons
Em Spinalonga quase não há sombra, e as pedras guardam o calor. Leva água, chapéu e protetor solar, calça sapatos fechados para a calçada e apanha o primeiro barco da manhã, antes de chegarem os barcos grandes.
🏚️ A ilha dos leprosos
Depois dos venezianos, os otomanos construíram dentro das muralhas uma aldeia com casas, lojas e uma mesquita, que no fim do século XIX tinha centenas de habitantes. Em 1903, o Estado cretense esvaziou-a e fez dela uma leprosaria: as pessoas com lepra, de toda a Creta e mais tarde de toda a Grécia, eram mandadas para aqui para sempre, separadas das famílias. Entravam por um túnel escuro nas muralhas, a que eles próprios chamaram Porta de Dante, porque dali ninguém voltava.
E, no entanto, os doentes criaram uma comunidade: casavam-se, abriam lojas e cafés, tinham barbeiro, igreja, escola, e lutaram até conseguir água, eletricidade e médicos. Quando se encontrou uma cura para a lepra, a leprosaria fechou em 1957, e o último habitante, um padre, partiu em 1962. Percorre a rua principal, com as casas meio em ruínas, até ao cemitério na ponta sul: é um daqueles lugares onde se ouve o silêncio. O romance «A Ilha» de Victoria Hislop e a série de televisão baseada nele deram a conhecer a história ao mundo inteiro.
Fotos: Robin & Bazylek (CC BY 2.0), Rigorius (CC BY-SA 4.0), Goosi (CC BY-SA 4.0), Cayambe (CC BY-SA 4.0), C messier (CC BY-SA 4.0) · Wikimedia Commons
O bilhete do sítio arqueológico paga-se à entrada, separado do barco. Duas horas chegam para ver a ilha toda. Se queres que a história da leprosaria ganhe vida, pergunta em Plaka por um guia.
⛵ Plaka, Elounda e Kalydon
Plaka é o ponto de Creta mais próximo de Spinalonga: uma antiga aldeia de pescadores, por onde passavam a comida e as cartas para os doentes, e que hoje tem tabernas à beira da água e uma praia de calhau. Elounda, mais a sul, é maior, com um porto cheio de barcos, cafés e alguns dos hotéis mais caros da Grécia. Entre as duas, em Poros, uma estreita faixa de terra leva à península de Kalydon, com velhos moinhos, salinas e as ruínas da antiga Olous debaixo do mar: com máscara, vês muros no fundo.
- Plaka: dez minutos de barco, tabernas com vista para a fortaleza.
- Elounda: cerca de vinte e cinco minutos, muitos barcos e cruzeiros.
- Agios Nikolaos: cerca de uma hora, muitas vezes com paragem para nadar.
- Kolokytha: praia em Kalydon, de barco ou a pé desde Poros.
Fotos: Ggia (CC BY-SA 3.0), Wolfgang Moroder (CC BY-SA 3.0), Tomisti (CC BY-SA 4.0), Alexey laa (CC BY-SA 4.0), Mietek Ł (CC BY-SA 3.0), Cayambe (CC BY-SA 4.0), Goosi (CC BY-SA 4.0) · Wikimedia Commons
🍽️ O que comer
As tabernas de Plaka e de Elounda são o melhor complemento de Spinalonga: peixe fresco, polvo grelhado e lulas, com a fortaleza em frente. Prova a cozinha cretense: dakos com tomate e mizithra, ervas silvestres, sarikes com mel, graviera e apaki. E no fim, um copinho de raki oferecido pela casa, como em toda a Creta.
📅 Quando ir
O sítio arqueológico está aberto sobretudo da primavera ao outono. Maio, junho, setembro e outubro são os melhores meses: calor sem onda de calor, menos gente e mar quente para nadar depois. Em julho e agosto a ilha enche-se das dez da manhã às quatro da tarde, e o sol nas pedras é duro. Vai de manhã ou ao fim da tarde.
✈️ Como chegar a partir de Atenas
| Meio | Duração | De onde | Notas |
|---|---|---|---|
| Avião e carro | Cerca de 50 minutos + 1 hora | Aeroporto de Atenas → Heraklion → Plaka | A forma mais rápida. Muitos voos por dia. |
| Ferry e carro | Cerca de 9 horas + 1 hora | Pireu → Heraklion | Ferry noturno com camarote, chegas de manhã. |
| Barco de Plaka | Cerca de 10 minutos | Plaka → Spinalonga | Saídas frequentes, a travessia mais curta. |
De Ioulianou 50 apanha a linha 1 até Monastiraki e muda para a linha 3 para o aeroporto, ou a linha 1 diretamente para o Pireu para o ferry. De Heraklion, os autocarros KTEL vão a Agios Nikolaos e Elounda, mas de carro vês também Plaka, Olous e Kolokytha. Para o resto de Creta, vê o nosso guia de Creta.
🗓️ Um dia em Spinalonga
Spinalonga
O primeiro barco de Plaka, antes de chegarem os barcos de Elounda e Agios Nikolaos. Passa a Porta de Dante, percorre a rua da aldeia e sobe aos baluartes. Dá a volta às muralhas até ao cemitério. Hora e meia a duas horas chegam.
Plaka e Elounda
Almoço de peixe em Plaka, com a fortaleza em frente. Depois um mergulho no calhau de Plaka ou em Kolokytha, e pôr do sol em Poros, onde o mar cobre a antiga Olous. Noite no porto de Elounda.
Perguntas frequentes
De onde apanho o barco para Spinalonga?
De Plaka, se queres a travessia mais curta, cerca de dez minutos. De Elounda, se ficas lá, cerca de vinte e cinco. De Agios Nikolaos, se queres um cruzeiro completo pela baía com paragem para nadar.
Quanto tempo preciso na ilha?
Hora e meia a duas horas, para percorrer a rua da aldeia, as muralhas e os baluartes até ao cemitério. Nos barcos de Plaka voltas quando quiseres; nos cruzeiros organizados a hora é fixa.
Há leprosos hoje em Spinalonga?
Não. A leprosaria fechou em 1957, quando a lepra começou a ser curada com medicamentos, e o último habitante partiu em 1962. Desde então a ilha é um sítio arqueológico, sem habitantes.
«A Ilha» foi filmada aqui?
Sim. A série de televisão de 2010, baseada no romance de Victoria Hislop, foi filmada em Spinalonga e em Plaka, que na história é a aldeia em frente, onde tudo começa.
— Kathy